Em 12 de março de 2026, uma exposição itinerante sobre a notável história da tolerância ao cannabis nos Países Baixos e na França abriu pela primeira vez em Viena, logo fora do Centro Internacional de Viena das Nações Unidas durante a sessão anual da Comissão sobre Entorpecentes (CND). A exposição marca um aniversário significativo: passaram exatamente 50 anos desde que a Lei do Ópio holandesa foi fundamentalmente reformada em 1976, dando origem à política de tolerância que eventualmente tornaria os Países Baixos famosos por sua cultura de coffeeshops.
O projeto, intitulado "1976-2026: O Paradoxo Francês/Holandês na Guerra Global às Drogas", foi desenvolvido pela fundação holandesa Verbond voor Opheffing van het Cannabisverbod (VOC) e pela coalizão europeia por uma política de drogas justa e eficaz (Encod). Toma como ponto de partida o 50º aniversário de duas abordagens paralelas mas completamente diferentes ao cannabis.
Dois Países, Dois Caminhos
Em 1976, duas coisas aconteceram quase simultaneamente. Nos Países Baixos, o governo reviu a Lei do Ópio para distinguir formalmente entre drogas pesadas e drogas leves, criando a base legal para o que se tornaria o gedoogbeleid, a política de tolerância. Essa separação permitiu que coffeeshops licenciados vendessem pequenas quantidades de cannabis sem serem processados, desde que seguissem regras rigorosas. Hoje, mais de 500 coffeeshops operam em 106 cidades nos Países Baixos sob esse marco.
Naquele mesmo ano na França, um grupo de intelectuais proeminentes publicou uma carta aberta no jornal Liberation pedindo a descriminação completa do cannabis. A França seguiu o caminho oposto. Em vez de tolerar o cannabis, o país manteve algumas das leis de drogas mais rigorosas na Europa Ocidental, com a posse de cannabis permanecendo um crime com potencial de sentença de prisão bem adentro do século XXI.
A exposição explora como esses dois estados membros da UE vizinhos, separados por apenas alguns poucos quilômetros, desenvolveram respostas fundamentalmente diferentes à mesma pergunta. O resultado é uma narrativa visual impressionante que documenta 50 anos de divergência política, mostrando como os Países Baixos se moveram em direção à tolerância regulamentada enquanto a França se manteve firme na proibição.
O Que a Exposição Inclui
A exposição apresenta documentos históricos, fotografias e cronogramas de políticas de ambos os países. Um de seus elementos mais notáveis é uma planta de cannabis viva exibida em uma gaiola, uma peça simbólica que representa as contradições inerentes à política de drogas. Há também uma seção dedicada a Joep Oomen (1961-2016), um ativista pelo cannabis e co-fundador da Encod e da fundação VOC, cujo trabalho ajudou a moldar a advocacia da política de drogas europeia por décadas.
Panfletos informativos estão disponíveis com traduções dos textos da exposição em cinco idiomas, juntamente com um guia de exposição de 24 páginas com informações suplementares e material visual. Membros do conselho da Encod e o presidente da VOC, Derrick Bergman, estavam presentes em Viena para se envolver com delegados da ONU, visitantes e jornalistas.
Um Tour Pela Europa
Após sua estreia em Viena, a exposição está programada para viajar para nove cidades em sete países. As paradas confirmadas incluem Bilbao, Berlim, Paris, Bruxelas (no ou perto do Parlamento Europeu), Praga, Amsterdã, The Hague (no ou perto do Parlamento Holandês) e Eindhoven. Isso a torna uma das exposições mais ambiciosas sobre política de cannabis já organizadas na Europa, trazendo a conversa sobre reforma de drogas diretamente para as instituições e cidades onde as decisões de política são tomadas.
A escolha das cidades é deliberada. Berlim é a capital do país que legalizou o cannabis recreativo em 2024. Praga é onde a República Tcheca introduziu um dos marcos de cannabis mais progressivos da Europa em 1º de janeiro de 2026. Bruxelas abriga as instituições europeias que cada vez mais influenciam as políticas de drogas nacionais. E Amsterdã, The Hague e Eindhoven representam o coração do sistema de coffeeshops holandês que a exposição documenta.
Por Que Isso Importa em 2026
O timing da exposição é significativo. A Europa está no meio de seu período mais ativo de reforma da política de cannabis em décadas. A Alemanha legalizou o cannabis recreativo e agora tem quase 400 clubes de cultivo aprovados. A República Tcheca permite posse pessoal e cultivo caseiro. Os Países Baixos estão executando seu Experimento de Cadeia de Suprimento de Cannabis Controlado em 10 municípios. A França está transitando seu piloto de cannabis medicinal para um marco farmacêutico permanente em 1º de abril. Luxemburgo, Malta e Suíça introduziram várias formas de acesso legal.
Ao mesmo tempo, as eleições municipais de Amsterdã que ocorrem em 18 de março poderiam resultar em um novo impulso para banir turistas dos coffeeshops no centro da cidade, um desenvolvimento que representaria uma mudança significativa na acessibilidade do sistema holandês que operou por cinco décadas.
A exposição serve como um lembrete de que o cenário de política de hoje não emergiu da noite para o dia. A política de tolerância holandesa foi o produto de escolhas políticas deliberadas feitas em 1976, escolhas que eram controversas na época e permanecem debatidas hoje. Ao colocar as abordagens holandesa e francesa lado a lado, a exposição convida os visitantes a considerar o que funciona, o que não funciona, e como a próxima década de política de cannabis poderia parecer.
O Que Isso Significa para os Visitantes
Se você está visitando os Países Baixos, o sistema de coffeeshops que cresceu a partir das reformas de 1976 ainda está muito vivo e acessível. Com mais de 541 coffeeshops em 106 cidades, os Países Baixos permanecem o destino mais acessível na Europa para compras legais de cannabis como turista. Você pode explorar todos eles, verificar horários de funcionamento, navegar pelos menus e ler avaliações no cannabizzz.
A exposição em si será digna de visita quando chegar aos Países Baixos mais tarde este ano. As datas e locais para as paradas de Amsterdã, The Hague e Eindhoven serão anunciados pelas organizações VOC e Encod. Siga nossa seção de notícias para atualizações conforme forem confirmadas.



